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Aconchegante e charmoso - foto: Cláudia Rangel - Museu Ferroviário da Vale - Vila Velha - ES |
Algumas iniciativas públicas e privadas desenvolvidas no Brasil
buscam resgatar e preservar a história de todos os modais de transporte.
Há iniciativas já consolidadas que, além de objetos, conservam
documentos que contam detalhes desse desenvolvimento. Algumas opções
também oferecem acesso a parte do acervo de maneira virtual. Assim, a
visitação pode ser feita até mesmo pelos públicos mais distantes,
tornando ainda mais democrático o acesso a essas informações.
Outras iniciativas, ainda em fase de execução, buscam ampliar o
acesso a essas informações, de formas cada vez mais variadas e
interativas, para cativar a atenção dos mais novos e ensinar mais sobre
essa parte importante da história brasileira.
Na cidade de Campinas (SP), por exemplo, está em execução o projeto
do Museu Brasileiro do Transporte. A estrutura, que será erguida às
margens da Avenida Dom Pedro I, irá abrigar a memória do desenvolvimento
de todos os modais no país. A proposta prevê um modelo inédito de
exposição, moderno, que valorize a interatividade e o uso de recursos
multimídia e alta tecnologia.
Atualmente já estão disponíveis os recursos necessários para os
projetos de arquitetura e engenharia, limpeza e preparação do terreno,
montagem do canteiro de obras, administração e pré-produção da dinâmica
de exposição das obras. A expectativa é que esta etapa seja finalizada
em maio de 2015, num total de R$ 10 milhões. Todo o museu está orçado em
R$ 120 milhões.
O acervo deve contar a história do transporte no país por meio de uma
linha do tempo e com referências fundamentais de cada modal, até o
momento atual, destacando, também, sua importância para a economia e
para a sociedade.
Segundo a presidente da Fundação Memória do Transporte (Fumtran),
Elza Lúcia Panzan, a ideia do projeto é criar espaços dinâmicos e
integrados, com livros, protótipos, comunicação digital e visual. Para
ela, é essencial preservar a memória do setor: “O transporte é uma mola
propulsora da economia de qualquer país. É o transporte que leva as
pessoas e as mercadorias a seus destinos”, diz. Elza também reforça que
“a evolução desse setor no Brasil tem, em sua essência, a força, a garra
e o empenho de um número incontável de pessoas, profissionais e
empreendedores. De dimensões continentais, cada etapa de evolução social
tem, em sua trajetória, o braço forte do transporte”.
Museus ferroviários
Outro projeto que está em desenvolvimento quer criar um espaço para
conservar a memória do sistema ferroviário brasileiro. O projeto do
Museu Ferroviário Nacional foi elaborado pela Universidade Federal de
Santa Catarina (UFSC). Até o ano passado, o Ministério dos Transportes
recebeu sugestões sobre a execução da obra e agora analisa as
contribuições públicas para dar andamento na iniciativa.
O espaço cultural será sediado na Estação Barão de Mauá, no Rio de
Janeiro. O edifício é uma construção da década de 20 e foi tombado pelo
Instituto Estadual do Patrimônio Cultural.
Já em Vila Velha (ES), está localizado o Museu Vale, que também
preserva parte do patrimônio ferroviário brasileiro. O acervo permanente
conta a história da Estrada de Ferro Vitória a Minas, com um painel
interativo, uma maquete ferroviária, fotos, equipamentos e ferramentas
de trabalho dos ferroviários. Além disso, guarda documentos, artigos,
publicações e cenários que retratam o passado das estradas de ferro
brasileiras.
Transporte público
Um pouco da história do transporte público no Brasil pode ser
conhecida em um museu mantido pela SPTrans, na cidade de São Paulo (SP).
O acervo conserva relíquias desde o primeiro bonde a circular no Brasil
(no Rio de Janeiro, em 1859), até o primeiro trólebus de fabricação
nacional, produzido em 1960. São, ao todo, sete veículos em exposição,
1,5 mil fotos, 1,5 mil livros além de móveis, objetos e documentos sobre
a evolução do transporte urbano brasileiro.
Memória da aviação
Entre os acervos que contam a história da aviação no Brasil está o da
Força Aérea Brasileira (FAB). Localizado no Campo dos Afonsos
(considerado berço da aviação militar), na cidade do Rio de Janeiro
(RJ), o Museu Aeroespacial foi inaugurado em 1976. Entre as atrações
abertas à visitação estão as exposições Santos-Dumont, Esquadrilha da
Fumaça, Primórdios da Aviação Brasileira e Embraer – O Brasil na
Vanguarda da Indústria Aeronáutica.
Já a Tam mantém, na cidade de São Carlos (SP), um espaço com mais de
20 mil m² de área para preservar a história do modal. Segundo a empresa,
esse é considerado o maior museu de aviação do mundo mantido por uma
companhia aérea privada. O acervo conta com mais de 90 aeronaves entre
pioneiros, clássicos, jatos e caças, a maioria em plenas condições de
vôo, além de simuladores que podem ser experimentados pelo público e da
história dos uniformes das tripulações.
Transporte aquaviário
Entre as opções para se conhecer mais sobre a história do transporte
aquaviário está o Espaço Cultural da Marinha, que permite uma viagem
pela história do Brasil e da Navegação. Entre as peças do acervo está,
por exemplo, a embarcação Galetoa D. João VI, construída em 1808, em
Salvador, e que foi utilizada até os primeiros governos republicanos. O
acervo está armazenado na cidade do Rio de Janeiro.
No Norte do país, onde o modal é essencial para a integração entre as
comunidades, está o Memorial Amazônico da Navegação. Localizado em
Belém (PA), esse museu relata a história da navegação na Amazônia, desde
os primeiros contatos entre indígenas e europeus até os dias de hoje.
19/05/2014 - Agência CNT